Psicóloga renomada capacita equipe de saúde mental de Barueri em prevenção ao suicídio

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“Foi um grande presente! Saí de lá muito melhor do que entrei. Nessa vida tudo é energia, é troca, é aprendizado. Vamos para uma capacitação com uma temática específica e nos deparamos com grandes ensinamentos para a vida.”

Foi assim que, cheia de emoção, a assistente social Alessandra Gorgonha definiu a experiência de participar do curso “Manejo do Comportamento Suicida” com a psicóloga e psicoterapeuta Karina Okajima Fukumitsu: renomada pesquisadora com ênfase nos estudos sobre processos autodestrutivos, prevenção ao suicídio, posvenção e acolhimento da vida.

Aprofundamento sobre comportamentos autodestrutivos
O encontro, realizado em quatro momentos – dois no dia 4 e dois no dia 11 de novembro -, reuniu psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais e enfermeiros da Atenção Básica e dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) de Barueri. De forma bastante aprofundada a especialista abordou a questão do suicídio com amplitude: desde os sinais que denotam um comportamento autodestrutivo, mostrando formas de trabalhar a prevenção, até quando o ato é concretizado, indicando caminhos para o acolhimento de quem fica e precisa lidar com esse tipo de luto e trauma.

“Comportamento autodestrutivo é ato de comunicação”, frisou Karina. Ela explicou de diferentes maneiras como se manifestam os sofrimentos existenciais e a importância de compreendê-los para realizar de fato um acolhimento, bem como a necessidade de não julgar. “Ninguém se mata por uma causa só, o ato é apenas a ponta do iceberg”, disse.

“Vamos parar para pensar que hoje em dia, infelizmente, os números de suicídio e de autolesões não-suicidas estão aumentando cada vez mais, então há de se fazer promoções tais como a que vocês estão promovendo, trazendo essa possibilidade de conversar a respeito. A gente precisa sair da ideia de que é preciso fazer mudanças individuais. A gente tem, sim, que ter iniciativas individuais, mas quando isso passa por uma questão municipal, uma questão grupal, a gente pode fazer muito mais”, declarou Karina em entrevista

Pioneirismo na esfera municipal
Ela parabenizou Barueri, já que foi apenas a terceira prefeitura a convidá-la para realizar tal trabalho. “Não é comum. Dou os parabéns pra Barueri por estar com essa preocupação, porque hoje em dia os processos autodestrutivos são problemas de saúde pública que a gente precisa dar muita atenção. O curso do manejo do comportamento suicida tem a proposta de identificar maneiras de acolher o sofrimento existencial. Então eu quero endossar que vocês estão fazendo uma coisa que é inovadora e tudo que é inovador é possibilidade: traz possibilidade de crescimento, de aquisição de conhecimentos e de ampliação de ações”, fez questão de destacar.

Muitos dos ensinamentos se estendiam ao acolhimento que os próprios profissionais da Saúde, especialmente os da saúde mental, precisam receber após lidar com esse tipo de situação. Segundo a psicóloga, “ao mesmo tempo que a gente precisa fazer um trabalho de prevenção, cujo objetivo é diminuir os números por suicídio, um bom trabalho de posvenção, que é o luto por suicídio, também acaba sendo uma maneira preventiva. Parece um espelhamento, mas é o que o Schneidman propõe: essa aliança entre prevenção e pos venchimant. Ele fala que a posvenção é a prevenção de futuras gerações, porque aquele que foi impactado por um suicídio e não é acolhido também pode pensar que a solução para o problema, para o sofrimento, é a morte”.

A diretora de Saúde Mental de Barueri, Ana Briguet, estava muito satisfeita com a oportunidade, já que o município desejava trazer a especialista há tempos. “A gente tem trabalhado, enquanto município e enquanto saúde mental, para a diminuição e para a prevenção do suicídio o ano todo. A gente queria qualificar a nossa equipe e nunca tivemos formalmente um profissional com o know-how dela”, declarou, contente.

A capacitação teve mais de quatro horas de duração e muitos pontos foram trabalhados. Karina também realizou algumas atividades com os profissionais da Saúde que trouxeram à tona emoções e descobertas sensoriais que impressionaram a todos. A especialista indicou sinais de alerta verbais e comportamentais, formas de se abordar alguém que ameaça atentar contra a própria vida, expressões e nomenclaturas que não devem ser utilizadas, as três fases na lida do comportamento suicida e várias outras questões.

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